INTERNET- COMUNICAÇÃO VIRTUAL
Regina Célia da C. Delgado.
Atualmente, milhões de brasileiros estão conectados à rede mundial de computadores. Nela podemos obter uma grande variedade de informações: ler jornais, realizar pesquisas, estudar, comprar e vender mercadorias e serviços, ler livros, enviar e receber correspondências e imagens. Para isso, é só termos acesso a um computador com Internet.
O que impressiona e que cada vez mais temos pessoas utilizando esse meio de comunicação, principalmente, no meio dos adolescentes e jovens.
Entrevistei alguns alunos sobre o tema. O que mais chamou atenção são as horas que ficam na Internet. Por isso, a escola e a família precisam levar esse novo aspecto em consideração, trazendo o tema para o centro do debate. Conversar, instruir, orientar e ouvir são fatores fundamentais.
Quando perguntados sobre a importância da Internet em suas vidas, os alunos do CIEP 311 Bocayúva Cunha, do 2º ano do Ensino Médio, dos cinco alunos entrevistados, três disseram entrar na Internet diariamente, passando de 2 a 5 horas conectados. A página de relacionamento Orkut assim como o programa de mensagem instantânea MSN foi citado por todos eles como os espaços virtuais que mais freqüentam. Embora todos tenham Orkut, apenas 2 possuem blogs.
Thaís e Vitor possuem blogs, onde colocam seus questionamentos e seus pensamentos sobre a vida deles. Ela trabalha com crianças em casa, lecionando, e ele é “EMO”, tem uma vida cheia de festas e músicas eletrônicas.
Todos os entrevistados têm amigos na Internet, mas a quantidade de contatos varia de acordo com a personalidade de cada um. Vitor e Bianca, adolescentes que gostam de festa, tem 100 a 200 amigos na Internet, enquanto Renata e Thaís, que são mais caseiras ficam na estimativa de 12 a 20 amigos, já o Wanderson, menino introvertido em sala, tem 70 amigos. É impressionante a capacidade que eles têm de se relacionarem na Internet.
No final, perguntei sobre a utilização da Internet na escola, todos disseram que utilizam-na para fazerem pesquisas escolares, para tirarem dúvidas sobre os assuntos acadêmicos. A Internet se tornou uma fonte de pesquisa para os alunos, professores e todos aqueles que necessitam saber algo.
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sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
Fala sério ! Espaço & Opinião.
Sentem, logo existem.
Além do uniforme e notas
Por: Paulo Roberto
No nosso dia a dia de aula/corredor/aula, nos esquecemos de mantermos um relacionamento mais humano com os nossos alunos.
Na verdade a estrutura espaço-temporal do ensino numa escola, não nos favorece um maior contato intra corpo docente e entre nós e os nossos alunos. Que pena. Pelo menos para mim isso é uma realidade, na qual ainda estou tentando me enquadrar para dar conta de cumprir prazos, e de uma maior proximidade afetiva e igual com os alunos.
Não falo daquela coisa estereotipada, e pró forma, de sorrisos e tapinhas, ou notinhas simpáticas. Falo de uma maior intimidade, que nos faça ver nossos alunos como alguém que tem família, trabalho, problemas, qualidades, preferências, direitos, deveres e necessidade de afeto, não apenas um número que ao final do ano letivo terá quatro notas que lhe habilitará ou não a seguir a diante.
As entrevistas feitas não têm grandes pretensões, de descortinarmos essências individuais, ou mesmo de termos uma idéia bem clara do que pensam, isto ficou claro para mim, pois estávamos no ambiente escolar, num daqueles tempos imprensados entre uma turma e outra. Para muitos deles a entrevista deve ter sido vista provavelmente como mais um dever de sala de aula, quem sabe?
Durante os meses de outubro e novembro deste ano, estivemos com alguns de nossos alunos da segunda série conversando entre outros assuntos, sobre a Escola, o Ensino, seus valores e auto-estima. Fizemos entrevistas individuais entre uma aula e outra e conseguimos retirar de muitos deles opiniões bastante sinceras, apesar do desconforto que alguns deles se encontravam.
Fizemos os seguintes questionamentos aos alunos: Defina quem é você? O que gosta e o que não gosta em você? Como eles se viam como alunos, o que deveria mudar na sua escola, no ensino? Um bom professor; o que seria? Conhecimento para que? O mais importante nas suas vidas?
Escolhemos seis moças e quatro rapazes, e formulamos as mesmas perguntas. Suas idades giram entre 17 e 38 anos; entre eles alguns já trabalham, e uma das alunas reingressou nos estudos depois de casada, e já com um filho.
Todos os rapazes, responderam que são: “legal”, “simpático”, “brincalhão”. Vinícius de17 anos, um pouco mais a vontade, falando de si, e sério; arriscou: “Sou um cara legal, simpático, extrovertido, eu acho que sou bonito, as pessoas acham que eu sou!”. As respostas foram reduzidas, e neste caso, as qualidades predominantes, foram ligadas aos aspectos de seus relacionamentos.
As alunas bem mais articuladas em sua maioria, apontaram visões pessoais bastante abrangentes. Aspectos positivos e outros nem tanto aparecem como respostas. A aluna Liliana acha que é muito “difícil as pessoas se definirem”, mas reconheceu ser alegre. Características como “curiosa”, “humilde”, “simples”, “tímida”, “ter bom relacionamento com todos”, ”teimosa”, “reflexiva”; mostram que elas tendem de um modo geral a expressar a diversidade existente entre elas.
Nos aspectos pessoais que eles não gostam de ter, apareceram a timidez, o excesso de extroversão, serem chatos por falta de limites nas brincadeiras. Já as meninas sempre mais atentas aos seus sentimentos, ou pelo menos mais “sensíveis” a sua importância, olham outros aspectos. A aluna lastima ter às vezes “alguns pensamentos negativos em mim” “Às vezes não acredito em mim mesmo”. Outras características indesejáveis seriam; a “preguiça”, “intolerância”, “timidez”, o “orgulho”; a rigidez nos sentimentos. Veja o que disse Miriam Martins; “Quando estou com raiva da pessoa, eu saio descontando tudo nela, não quero saber o que vai acontecer” embora reconheça que “a gente tem que amar aos inimigos!”. Elikássia curiosamente disse: “sou um pouco orgulhosa. Quando brigo com alguém, se eu não chegar na no início na pessoa; o orgulho aumenta. Fica mais difícil de perdoar.”
O valor que todos deram ao Conhecimento, foi de certa forma uniforme; pensam ser ele importante para o mercado de trabalho, para a vida, para evolução pessoal.
Todos os alunos foram categóricos em qualificar as virtudes do Bom Professor; vejamos algumas das declarações: Douglas acha que é “alguém que se importa se o aluno está aprendendo ou não. O que é preciso para que aprenda”, já Tiago vê a necessidade de além de explicar “ter amizade, e se dar o respeito”, Taiane acha que o professor deve “passar interesse para o aluno”,a paciência também foi lembrada por Miriam Martins. Veja o comentário de Liliana de16 anos:”Tem professor que é super ignorante. Esquece que o aluno tem uma vida lá fora.”, “tem professor que não vê o aluno como ser humano!”.
Fernanda completa: ”não é só estar ali por causa do salário; é saber dar uma boa aula, prender o aluno...”.
Como estamos vendo os alunos estão sempre atento. Penso que as “possíveis carapuças”, que nos mostram,são verdadeiras e muitos de nós já não a vestem.
Mudanças necessárias como implantação de laboratório de Informática, ativação da piscina, laboratório científico para práticas, mais uma sala de vídeo, maior uniformidade de informação dos funcionários, foram lembradas como mudanças desejadas. Também a circulação de pessoas estranhas à escola além de curiosamente o excesso de namoro no interior da nossa escola.
Concluí as entrevistas, pedindo para que apontassem o que seria a coisa mais importante para eles na vida?
Todos incluíram a família; mas também aparece Deus, amigos, a dignidade no que se faz, amar ao próximo como um irmão, a falta de preconceito, a vontade de vencer.
Agradecemos aos alunos que aceitaram participar desta reportagem. Acredito que bate-papos semelhantes a estes, em que todos possam aprender a falar de si, sem receios, é um excelente instrumento para o estreitamento dos laços entre todos nós, com conseqüente aumento de respeito aos limites e diferenças entre todos nós.
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
Arte e seu ensino na visão de quem faz.
Educação Artísticas, Artes, Arte Educação; estes foram alguns nomes que identificaram e/ou identificam o ensino de arte nas escolas do Brasil.
O fato é que não só o nome veio sendo mudado, mas quando isso aconteceu veio normalmente acompanhado de mudanças no foco abordado, bem como no modo de operacionalização do seu ensino ao longo do tempo.
Vamos ter oportunidade de brevemente conhecermos um pequeno histórico destas mudanças. Por hora vamos dar uma olhada o que alguns artistas e autores pensam sobre o ensino de arte. No livro "A Criação Plástica em Questão" de Walmir Ayala, foram formuladas algumas questões sobre Arte, para vários artistas; vejamos as respostas de alguns deles para a seguinte pergunta:
A Arte pode ser ensinada?Deve?
"Arte pode e deve ser ensinada desde que a preocupação do ensino seja a de ajudar a cada um a descobrir-se e o seu caminho, sem nenhuma outra interferência, porque todos os caminhos são válidos e todos os homens são artistas."
Amilcar de Castro - Escultor e Desenhista
" Querem que se lhes arquitete o sonho e a ilusão. Pode-se ensinar alguém a andar na corda bamba? Bem, pode-se despertar o processo artístico em alguém, levá-lo a traçar uma linha com emoção , mostrar-lhe qual o processo do conhecimento, i.e., a compreensão e discriminação.É preciso , porém, convencê-los de que não se inventa nada. É preciso também, desmantelar o esquema que preconceberam."
Anna Bella Geiger - Gravadora e Desenhista
"Somente poderá ser transmitida a inteligibilidade do fenômeno artístico que possibilitará a assimilação do público das qualidades de uma obra de arte, através de um aprimoramento do gosto pela assiduidade na contemplação, ou na fruição do objeto artístico."
Arcângelo Ianelli - Pintor
"No sentido de Academia de Belas Artes, o ensino da arte não tem mais lugar. O jovem de hoje, se possuidor de um talento criativo, certamente encontrará sua própria linguagem dentro da liberdade propiciada pelas modernas técnicas de expressão do conhecimento."
Frans Krajcberg - Pintor, gravador e escultor
"Não. Creio que o melhor é dar oportunidade a que as pessoas experimentem momentos não-repressivos, que não podem ser ensinados; talvez provocados, o que é raro."
Hélio Oiticica - Pintor, Escultor.
"Pode-se ensinar que existe uma relação orgânica entre uma ação humana (qualquer ação) e o conteúdo expressivo desta ação. Portanto, podem-se dar informações sobre meios artísticos, sobre as possibilidades latentes que surgem das várias matérias empregadas pelo artista, e pode-se analisar o conteúdo emotivo ou o sentido da comunicação que delas resulta. Tudo isso pode e deveria ser ensinado a fim de educar a sensibilidade do indivíduo.
Porém a arte em sí não pode ser ensinada, pois nem o processo e nem a apreensão sensível de um conteúdo expressivo permitem a substituição da forma visual por outros meios; palavras por exemplo.
Ambas, criação e apreciação, são experiências diretas da sensibilidade individual diante da presença física, única e insubstituível, da obra de arte. O que se pode fazer apenas é preparar e ajudar para que uma tal experiência direta possa realizar-se do modo mais rico e profundo em cada um.
Seria a mais nobre tarefa da educação."
Fayga Ostrower - Gravadora, desenhista e professora.
As opiniões acima espelham as "conclusões" a que chegaram àquela época em que foi feito o livro citado ( Em 1969 ), o que certamente não tinha a pretenção de mostrar uma idéia definitiva, destes artistas, sobre o tema. Sabemos que assim como o conceito do que é Belo, Arte e Artistas sofreram e sofrerão alterações menores ou maiores ao longo do tempo; o conceito de Ensino de Arte bem como da sua eficácia e objetivos também são passíveis de mudanças.
O que importa para nós da Escola ( Alunos e Professores), é que possamos aprender e ensinar o passado, o presente e tendências dos conceitos e contextos criativos, suas práticas, produtos, e atores; não só o que já absorvemos, como também os não totalmente compreendidos por nós. Penso que a nossa função de aprendizes/mestres, devemos divulgar, experienciar, opinar, criarmos consciências críticas sobre esse universo tão complexo, que está longe de ser totalmente coerente, ainda que estejamos tratando de expressão e sensibilidade.
As opiniões acima apesar de terem sido expressas por artistas ligados as artes visuais, podem e devem confirmarem-se nas demais áreas das artes, quais sejam as cênicas, a musical e a dança.
Sem ter a pretenção de que sejamos polivalentes, mas vejo como necessária a idéia de nos atualizarmos sempre nos diversos setores da arte, até porque as tendências estéticas não são privilégio de áreas isoladas. Tudo esta interligado.
terça-feira, 14 de outubro de 2008
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